A Quinta do Arneiro

Mafra gajas (28)

Não sei se conhecem a Quinta do Arneiro mas aposto que, em caso negativo, pelo menos já ouviram falar. Este projecto (re)nasce de uma herança familiar e da grande força de vontade da Luísa. Hectares de terreno dedicados à pêra rocha vão sendo, a pouco e pouco, convertidos numa grande horta biológica (e de acolhimento – afinal, muitos dos trabalhadores são nepaleses). E tem dado frutos. E tem crescido. Podem ler um pouco da história da Quinta e da Luísa aqui (e nos links anteriores), mas nada substitui uma visita à Quinta e uma conversa com a própria. Ela faz questão de conhecer e conversar com os visitantes, e sente-se simultaneamente a sua paixão e orgulho neste grande projecto de vida.

Fui almoçar com algumas amigas à Quinta no passado dia 5 de Outubro, e como daí resultaram uma fotografias tão bonitas (pela lente da Sofia), achei que deveria partilhar convosco esta visita 🙂

Imagem2

Uma visita à Quinta não fica completa sem uma refeição no restaurante (convém marcar com alguma antecedência) 🙂 Confesso-vos aqui, que ninguém nos ouve, que este restaurante é exactamente aquilo com que sempre sonhei. Todos os produtos utilizados são cultivados na Quinta. Cabe ao Chef, diariamente, imaginar e criar um menu, com os produtos da época. Mas não é um menu qualquer – inclui entrada, sopa, salada, prato principal e sobremesa!!!! É um regresso às origens que em tudo me fascina. Não há qualquer desperdício. Tudo é aproveitado. Há um respeito pelos ritmos da natureza, pelo produto que nos chega às mãos, rico em sabor e qualidade, rico em saúde! Já tive a oportunidade de visitar duas vezes a Quinta: no “pico” do verão e agora, no início do Outono. Não podia ter saboreado dois menus mais distintos, mas igualmente deliciosos. Quero muito voltar lá no Inverno, onde seguramente saborearei pratos aconchegantes, tanto para o estômago como para a alma. Não poderia deixar de referir o encanto da sala de refeições com uma ampla vista para a cozinha. Adoro quando tenho a oportunidade de ver os cozinheiros em acção, onde não há barreiras nem segredos para o cliente. Delicio-me simplesmente a ver o “caos calmo” que é uma cozinha, onde cada pessoa que ali trabalha se esmera para nos dar o melhor prato, apelando aos nossos cinco sentidos: é certo que os olhos também comem, mas também o olfacto, audição e tacto são postos à prova!

Mafra gajas (5)

Mafra gajas (6)

Na nossa visita, a sopa consistia num creme de abóbora e gengibre, com sementes de abóbora torradas (nada se desperdiça!) e manjericão.

Mafra gajas (9)

Mafra gajas (8)

A salada consistia numa rica combinação de rúcula, pickles de beterraba, pêra rocha & figos assados no forno e nozes. Deliciosa!

Mafra gajas (12)

Mafra gajas (14)

O prato de carne consistia em vitela selada, batata doce assada, ruibarbo e um aconchegante molho de amendoim.

Mafra gajas (15)

Quanto ao prato vegetariano, o rei da nossa refeição, incluía polenta, cogumelos shitake, beringela assada, molho de caju e avelãs torradas, acompanhado por uma salada verde.

Mafra gajas (17)

Para sobremesa tínhamos uma escolha difícil: pêra rocha assada no forno vs bolo de beterraba & chocolate com iogurte & mel. A solução? Pedir ambos e partilhas!

Mafra gajas (25)

Mafra gajas (26)

A refeição não fica completa sem uma visita à Quinta, onde podemos ver onde nascem e crescem todas as matérias-primas dos deliciosos pratos que comemos.

Mafra gajas (18)

Imagem1

Mafra gajas (36)

Mafra gajas (1)

Não deixem de visitar a Quinta e almoçar no restaurante, quando foram passear para a zona Oeste. Este não é um post patrocinado, mas sim a minha sincera opinião (e recomendação) 😉

 

Anúncios

443 Milhões de anos depois… (II)

hist

O dia D. 443 milhões de anos depois, a Sofia é Doutora. Hurray! Um dia bastante ansiado, por ambas, por motivos muuuito distintos. Dizem as más línguas que um Doutoramento termina num Permanent head Damage… É algo que não quero comprovar, as dores de cabeça do Mestrado chegaram e sobraram 😛 Mas posso dizer-vos que conheci a Sofia no início desta aventura e tive o privilégio de acompanhar esta odisseia. Sim, odisseia! A Sofia encosta os deuses todos do Olimpo a um canto!!!! Nunca conheci pessoa tão determinada, entusiasta, que jamais baixa os braços, que cai e se levanta logo logo a seguir. Ficar parada é que não. A vida segue, corre, voa, e ela está lá. A viver. A Sofia e a sua Canon, a viver, a registar o momento, a partilhar. Se há pessoa verdadeiramente apaixonada pelo tema da sua tese, essa pessoa é a Sofia. Mas tal como no amor, há dias menos bons. Há dias em que apetece desistir. Há dias em que se quer estar sozinha, há dias em que se discute, se zanga, em que a insegurança se instala… Valem os outros. Em particular os dias de campo, que culminam com um banquete que, uma vez mais, faria os deuses do Olimpo roerem-se de inveja! Ficam as pessoas, por esse mundo fora, que partilham a mesma paixão. A paixão de entender o nosso mundo e todos os seus mistérios, há bem mais de 443 milhões de anos, altura essa em que não existiam plantas nem qualquer forma de vida fora de água! Conseguem imaginar?!

Parabéns Sofia! És grande! ❤