A Quinta do Arneiro

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Não sei se conhecem a Quinta do Arneiro mas aposto que, em caso negativo, pelo menos já ouviram falar. Este projecto (re)nasce de uma herança familiar e da grande força de vontade da Luísa. Hectares de terreno dedicados à pêra rocha vão sendo, a pouco e pouco, convertidos numa grande horta biológica (e de acolhimento – afinal, muitos dos trabalhadores são nepaleses). E tem dado frutos. E tem crescido. Podem ler um pouco da história da Quinta e da Luísa aqui (e nos links anteriores), mas nada substitui uma visita à Quinta e uma conversa com a própria. Ela faz questão de conhecer e conversar com os visitantes, e sente-se simultaneamente a sua paixão e orgulho neste grande projecto de vida.

Fui almoçar com algumas amigas à Quinta no passado dia 5 de Outubro, e como daí resultaram uma fotografias tão bonitas (pela lente da Sofia), achei que deveria partilhar convosco esta visita 🙂

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Uma visita à Quinta não fica completa sem uma refeição no restaurante (convém marcar com alguma antecedência) 🙂 Confesso-vos aqui, que ninguém nos ouve, que este restaurante é exactamente aquilo com que sempre sonhei. Todos os produtos utilizados são cultivados na Quinta. Cabe ao Chef, diariamente, imaginar e criar um menu, com os produtos da época. Mas não é um menu qualquer – inclui entrada, sopa, salada, prato principal e sobremesa!!!! É um regresso às origens que em tudo me fascina. Não há qualquer desperdício. Tudo é aproveitado. Há um respeito pelos ritmos da natureza, pelo produto que nos chega às mãos, rico em sabor e qualidade, rico em saúde! Já tive a oportunidade de visitar duas vezes a Quinta: no “pico” do verão e agora, no início do Outono. Não podia ter saboreado dois menus mais distintos, mas igualmente deliciosos. Quero muito voltar lá no Inverno, onde seguramente saborearei pratos aconchegantes, tanto para o estômago como para a alma. Não poderia deixar de referir o encanto da sala de refeições com uma ampla vista para a cozinha. Adoro quando tenho a oportunidade de ver os cozinheiros em acção, onde não há barreiras nem segredos para o cliente. Delicio-me simplesmente a ver o “caos calmo” que é uma cozinha, onde cada pessoa que ali trabalha se esmera para nos dar o melhor prato, apelando aos nossos cinco sentidos: é certo que os olhos também comem, mas também o olfacto, audição e tacto são postos à prova!

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Na nossa visita, a sopa consistia num creme de abóbora e gengibre, com sementes de abóbora torradas (nada se desperdiça!) e manjericão.

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A salada consistia numa rica combinação de rúcula, pickles de beterraba, pêra rocha & figos assados no forno e nozes. Deliciosa!

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O prato de carne consistia em vitela selada, batata doce assada, ruibarbo e um aconchegante molho de amendoim.

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Quanto ao prato vegetariano, o rei da nossa refeição, incluía polenta, cogumelos shitake, beringela assada, molho de caju e avelãs torradas, acompanhado por uma salada verde.

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Para sobremesa tínhamos uma escolha difícil: pêra rocha assada no forno vs bolo de beterraba & chocolate com iogurte & mel. A solução? Pedir ambos e partilhas!

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A refeição não fica completa sem uma visita à Quinta, onde podemos ver onde nascem e crescem todas as matérias-primas dos deliciosos pratos que comemos.

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Não deixem de visitar a Quinta e almoçar no restaurante, quando foram passear para a zona Oeste. Este não é um post patrocinado, mas sim a minha sincera opinião (e recomendação) 😉

 

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443 Milhões de anos depois… (II)

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O dia D. 443 milhões de anos depois, a Sofia é Doutora. Hurray! Um dia bastante ansiado, por ambas, por motivos muuuito distintos. Dizem as más línguas que um Doutoramento termina num Permanent head Damage… É algo que não quero comprovar, as dores de cabeça do Mestrado chegaram e sobraram 😛 Mas posso dizer-vos que conheci a Sofia no início desta aventura e tive o privilégio de acompanhar esta odisseia. Sim, odisseia! A Sofia encosta os deuses todos do Olimpo a um canto!!!! Nunca conheci pessoa tão determinada, entusiasta, que jamais baixa os braços, que cai e se levanta logo logo a seguir. Ficar parada é que não. A vida segue, corre, voa, e ela está lá. A viver. A Sofia e a sua Canon, a viver, a registar o momento, a partilhar. Se há pessoa verdadeiramente apaixonada pelo tema da sua tese, essa pessoa é a Sofia. Mas tal como no amor, há dias menos bons. Há dias em que apetece desistir. Há dias em que se quer estar sozinha, há dias em que se discute, se zanga, em que a insegurança se instala… Valem os outros. Em particular os dias de campo, que culminam com um banquete que, uma vez mais, faria os deuses do Olimpo roerem-se de inveja! Ficam as pessoas, por esse mundo fora, que partilham a mesma paixão. A paixão de entender o nosso mundo e todos os seus mistérios, há bem mais de 443 milhões de anos, altura essa em que não existiam plantas nem qualquer forma de vida fora de água! Conseguem imaginar?!

Parabéns Sofia! És grande! ❤

443 Milhões de anos depois…

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Não sei ao certo como começar este post, que título atribuir… Se calhar tenho que vos contar um pouco da história da minha amizade com a Sofia. Tudo começou em 2009, num fórum na internet chamado exames.org (ainda existirá?)… Sim sim, a Sofia foi a única pessoa que conheci pela internet, após a troca de longos e-mails (uma a terminar o secundário, a outra em Erasmus a terminar a licenciatura – como elo de ligação, a Geologia). Conhecemo-nos (finalmente) em Arouca, no verão de 2010, após eu ter estado 1 semana a “partir pedra” e a descobrir os meus primeiros fósseis paleozóicos (permitam-me a utilização destes nomes estranhos, sim?). Na cabeça dela já estava idealizado, mais coisa menos coisa, o seu doutoramento, e tinha encontro marcado com um dos seus (futuros, na altura) orientadores – que era quem estava a “tomar conta” de nós*. Vai daí já lá vão quase 8 anos… Pelo meio 2 filhos (ela!), uma licenciatura, um mestrado, muitos congressos, muitos dias de campo (os melhores momentos! Poderia escrever um post inteirinho dedicado a este tema!!!!), muitas viagens, muitas experiências culinárias (bem e mal sucedidas), muitas fotografias, este cantinho, … poderia continuar, incluir as lamechices que ela detesta (eu sou um coração mole, que querem que faça?!) … E claro, o Doutoramento da Sofia! Afinal, é isso que celebramos, 443 Milhões de anos depois 😛

3×30

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Vamos directos ao assunto – se fosse a Sofia a escrever este post, poderia ser um desafio que envolvesse burpees e agachamentos… No meu caso não, o desafio é outro: 3 entradas para impressionar amigos, 30 minutos na cozinha. Impossível? Não! Trust me! Já há muito (demasiado) tempo que não partilho nenhuma receita convosco, por isso hoje partilho não uma, não duas mas três, minha gente, três receitas – e a promessa de que não passarão mais de 30 minutos na cozinha. A “aventura” desta vez começou antes do sol nascer (sim, eu acordo ainda o sol dorme) com uma sms da Sofia a desafiar para um jantar… nesse mesmo dia. Meio ensonada respondo algo como “estás louca”, mas 5 minutos depois respondo algo como “ok, levo o carro, já discutimos os detalhes”. Como de manhã é que se começa o dia (e eu adoro manhãs!), pensei logo em 2 entradas, mas estava bloqueada quanto ao “prato principal”. Se não fossem os miúdos (que têm de se alimentar como deve ser) proporia um jantar de petiscos, mas com eles não podia ser… Felizmente a Sofia disse prontamente que faria o seu hit, polvo à lagareiro, e mais tarde lembrei-me de uma 3ª entrada que gostaria de testar com alguns cobaias: crumble de sardinhas. Sim sim, leram bem, crumble de sardinhas! Curiosos? Não abandonem já o post, que hoje será mais longo e com mais texto que o normal 😉

#viverdevagar

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Perdoem-me a Maria*, a Filipa** e @ car@ leitor, pela falta de originalidade no título deste post (extremamente tardio). Perdoem-me ainda por ser um post diferente, mais pessoal e talvez com mais palavras do que o normal. Chegámos a Agosto (o quê? já?!?!), “meu querido mês de Agosto”, o mês por excelência das férias (não é bem o meu caso…), dos convívios, do regresso da família, de praia, praia, praia! Andamos o ano inteiro a mil (hmmm, acho que este blog é prova disso, basta ver a regularidade na “postagem”), ansiando pelas férias. Férias essas que voam, nem sabemos bem como, e de repente já andamos na azáfama das compras de Natal. Stop. Calma! Inspira, expira, não pira! Já vos disse mais que uma vez o quanto gosto de rotinas, mas sim, vou dar a mão à palmatória, por vezes é bom romper com elas! Este post é a prova disso. E se fossemos jantar um dia destes à praia? Com os orçamentos curtos, decidimos fazer uma salada, comprar pão, presunto & queijo, frutinha, vinho água fresca, frutos secos e bolinhos caseiros. Sair do trabalho/ faculdade, desesperar enfrentar o trânsito de fim de tarde em Lisboa (mas não estava já tudo no Algarve????) e correr pelo areal. Molhar os pés. Estender a toalha. Gritar com os miúdos para não sacudirem as mãos cheias de areia em frente à toalha. Sacar da geleira (à antiga, com certeza!) e “espalhar” comida pela toalha. “Oh Ana tens que virar a comida ao contrário para as fotos terem o mar como fundo!, desculpa lá pá”. Suspirar. Viver devagar, com calma. Fechar os olhos às traquinices dos miúdos. Abrir garrafas, fazer txin-txin (com copos de papel ahahahahah), comer tudo com um toque mais crocante (tempero dos miúdos, perdão, do vento) e sorrir. Descontrair. Esquecer, pelo menos por uns instantes, todos os problemas que ficaram fora da areia. Aproveitar o sol, seguir as pegadas das gaivotas, fazer piscinas e muralhas contra as ondas (recomeçar de novo… e de novo, após mais uma onda), fazer caretas, birrinhas, mas sorrir (logo a seguir). Dar graças por este querido mês de Agosto, tentar vivê-lo com calma, aproveitá-lo ao máximo. Quebrar a rotina. Dar graças pelos amigos que temos, os que vivem longe (e conseguem – ou não – aproveitar o verão para nos dar um abraço) e os de todos os dias. Celebrar a vida. Sorrir. Ser feliz. Com (mais!) calma. Viver devagar.

Cuco, chegámos! {Babyshower}

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Recebemos o convite para organizar este babyshower em plenos preparativos para o EJIP. Estávamos a mil, com uma tese para terminar (ela) e uma viagem marcada (eu). Mas não podíamos dizer que não. O “não” estava 100% fora de questão. Porque esta família merece. Por toda a sua simpatia, carinho e confiança que têm em nós. Porque o nosso coração ficou tão cheio durante o babyshower do Afonso (lembram-se?), que imediatamente respondemos SIM!, vamos organizar o babyshower para as duas Cuco que estavam prestes a chegar! E claro, foi uma desculpa para conhecer o Afonso, eh eh eh! Não foi difícil chegar a um tema, se é que podemos chamar assim. Foi o 1º babyshower para gémeas, que contam já com um mano mais velho. Duas coisas estavam claras desde o início: apesar de gémeas, são dois seres diferentes, e isso teria de estar em destaque; e claro, queria o irmão envolvido de alguma maneira. Resultou daí a ideia desta grinalda de fotografias, onde os futuros papás, o mano e a (bis)avó teriam de estar em destaque. Tudo o resto girou à volta dos Cucos, ou não fosse este o apelido da família! Tudo rosinha, mimoso, flores a dar o seu ar de graça, petiscos, alegria, família e amigos! Que mais se poderia pedir? 🙂 Desejamos aos Cuco a maior felicidade deste mundo ❤

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O XV EJIP (II)/ A FEW WORDS ABOUT XV EJIP (II)

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Programas o despertador para as 6:30 da manhã. Acordas meia despassarada pelas 6h e a pensar “Massa a levedar! Tenho que ir pôr a massa a levedar”. Repeat. 3 manhãs assim! 1 ice-breaker. 4 coffeebreaks. 100 pessoas. 1 forno. 3 pares de mãos (um do quais praticamente limitou-se a lavar loiça, tarefa inglória mas tão tão tão essencial – mil vezes obrigada!). We can do it! Acordar com uma dose incrível de adrenalina. Isso sim. É a melhor palavra para descrever a sensação de enorme responsabilidade que tinha aos ombros! Quem corre por gosto não cansa, bem sei, pelo que conseguimos colocar num local bem recôndito da mente o nervoso miudinho de algo correr mal. E felizmente, modéstia à parte, foi um sucesso!!!!! Se já sei que há ex-libris que não podem faltar (como a trança de Nutela, cujo melhor elogio poderá ter sido “isto é a segunda coisa melhor do mundo, a seguir ao ‘acto de fazer bebés’ ” [linguagem adaptada aqui ao blog, que isto é para todas as idades!]), arrisquei e decidi experimentar receitas pela 1ª vez. Aprovadas pela maioria dos Paleontólogos presentes, digo eu, ao deparar-me com pratos vazios (algo que me enche o coração!). 

Algumas palavras sobre o XV EJIP (I)/ A few words about XV EJIP (I)

IMG_0203EJIP?! Será que ela queria dizer Egipto (sim sim, com o antigo acordo ortográfico!)? Não. EJIP – Encontro de Jovens Investigadores em Paleontologia. Paleo-quê? Essas imagens não mostram grandes petiscos aprovados pela dieta paleo!!!! 😛 Grosso modo podemos resumir os Paleontólogos como um tipo de Geólogos ainda mais maluquinhos que estudam fósseis – caro leitor, tenho de admitir que me insiro neste grupo!!! E não, caro leitor, não, isto não se resume a dinossáurios – esses pobres são apenas uma ínfima parte de todos os organismos que outrora pisaram ou nadaram (ou voaram!) neste nosso planeta azul. Ora o EJIP é um congresso que reúne os mais Jovens Investigadores (ou não tão jovens) ibéricos (e não só!), onde durante 3 dias se partilham as mais recentes descobertas realizadas. Este congresso vai já na sua 15ª edição, sendo esta a 2ª realizada em território português. Foi com muito prazer (e uma certa dose de loucura) que aceitei fazer parte deste grandioso comité da organização… e claro, encarregar-me da parte gastronómica! 

Um babyshower inspirado em balões de ar quente/ Hot air balloon themed babyshower

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Em Dezembro, no aniversário da Violeta, a Patrícia (amiga da Sofia) falou-me por alto na possibilidade de vir a organizar um babyshower em Janeiro. Et voilà! Todo o processo foi muito dinâmico, fluido, com troca de ideias e acima de tudo uma grande confiança em mim (e nos tachos, salvo seja!). Não sabia ao certo qual seria o resultado final, mas tinha uma certeza: os balões de ar quente seriam o fio condutor da festa! E meti na cabeça que iria improvisar um balão de ar quente; que queria um balão de ar quente ao lado da mesa!!!! Todo o processo foi um tremendo desafio, com todas as ideias a falhar… Até que o meu pai pegou em trapilho e começou a fazer macramé. Vai daí, o resultado está à vista 🙂 Que este seja o início de uma maravilhosa aventura para o Afonso e família. Que seja uma aventura que os leve a explorar o mundo, com todo o amor, carinho e alegria!