Uma promessa de 4 anos

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Era uma vez… Este post poderia começar assim.

Faz quatro anos que começou a maior aventura da minha vida. A ida para a Faculdade começa muito antes do “Dia D”, com a decisão e escolha de um curso. Aquele que nos trará alegria e realização, acima da garantia de um emprego. Para mim, esta escolha era clara desde o 7º ano, momento em que tive um professor de Ciências Naturais que é Geólogo (com todo o respeito pelos 90% de Professores de Ciências de são Biólogos, mas isto é algo raro e há que saber dar valor!) e com nome de Geólogo (ah ah, a primeira de muitas piadas que poucos leitores compreenderão): Carlos Ribeiro! A paixão foi crescendo e no meu 12º ano, “muitas coisas acontecem ao mesmo tempo”. Volto a ter a sorte de apanhar uma Professora-Geóloga (espécies raras), a nossa Rocha-Mãe; as aventuras de Área Projecto levam-me a entrar em contacto com o Departamento de Geologia da FCUL (sim sim, isto parece que ainda está on-line); mas, perdoem-me as pessoas até aqui indirectamente referidas, conhecia (ainda que apenas por e-mail), a grande Sofia! A Sofia foi a primeira (e única) pessoa que conheci através da internet, e desque logo criámos uma grande empatia. Ela estava, na altura, no último ano da licenciatura, em Erasmus em… Madrid! Conhecia-a oficialmente em Arouca, após uma semana excepcional da Ciência Viva, organizada pelo Prof. Dr. Artur Sá. Vim de boleia com ela até Lisboa e ficámo-nos a conhecer um pouco melhor. A partir da Sofia tive a oportunidade de conhecer mais pessoas incríveis e excepcionais, e deito-lhe as “culpas” por, ao longo destes quatro anos, me ter relacionado mais com o “pessoal mais velho” do que com os meus colegas – com devidas excepções. Quando conheci a Sofia, era uma “miúda” de tranças, t-shirt dos Iron Maden e Vans – hoje é (oficialmente) mãe de dois e (na realidade) mãe de nós todos. É aquela pessoa a quem pedimos conselhos, a quem pedimos opinião antes de entregar seja que trabalho for. E ela é aquela pessoa que adormece a pensar em nós, que realmente se preocupa connosco e, mesmo com dois filhos, “perde” imeeeenso tempo connosco. Um obrigada nunca chegará para tudo o que ela faz por nós… Por isso vamos mimando-a com coisas doces.

Se ainda se lembram de que no meu 12º ano “muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo”, digo-vos que tive a oportunidade de participar numa saída de campo do 1º ano da licenciatura de Geologia, a Almograve, e conhecer aqueles que seriam os meus colegas no ano seguinte (ou para os mais puristas, os meus Pastranos e alguns Doutores). Mais tarde participei ainda no meu primeiro congresso (o IberPaleo) onde vim a conhecer mais pessoas com quem lidaria bem mais de perto num futuro próximo. Foi aqui que conheci o Sr Mocho, com a sua fita a prender os rebeldes (e sexys!) caracóis, e nesta altura nenhum de nós sonhava o quanto ele me iria aturar em Madrid! Pessoa muito peculiar (no bom sentido!), por vezes esquece-se que existe vida para além dos dinossauros. Tem um enorme coração, é super divertido (e teimoso!) e é de ideias fixas!

O verão passa a correr e eis que chega o “Dia D”. Eu e a srª Bióloga (se leres isto diz alguma coisa! Beijoca com saudades!), ainda não éramos 5h da matina, e já estávamos a acampar ao lado do globo do C6! Se pensam “elas são doidas”, lamento informar-vos que não éramos as primeiras da fila; nem as segundas; nem as terceiras… ok, já perceberam. Tudo em prol do melhor horário… ou dos melhores professores, cof cof, recomendados pela srª Sofia!

Quanto à praxe… não tenho uma única razão de queixa (sorry TVI!). Vivi grandes momentos, conheci imensa gente e soube o que são os dois lados da praxe. Soube viver e aproveitar cada etapa, e estar de capa traçada por vezes é mais difícil que ser caloiro. É saber lidar, com delicadeza, com cada caloiro, com os seus problemas, feitio, atitude, dedicação ou falta dela. Mais difícil é saber lidar com os nossos colegas, por vezes mais velhos. Na praxe aprendemos que cada um tem algum contributo a dar, que todos fazem falta. Como membro da CVG, o meu pensamento foi um e apenas um: e se eu fosse caloira, faria isto? E a resposta teria de ser sempre SIM. E o nosso trabalho deu frutos, porque foram mais os elogios que as críticas e os problemas.

Dizem que é na praxe que se fazem amigos e se conhecem os colegas… Nim. Nem sim nem não. De uma forma ou de outra, as pessoas dão-se a conhecer. E se dizem que os amigos não se contam pelos dedos, tenho que concordar. Porque a verdade é que em 4 anos as amizades vão-se tornando mais fortes, mas não com os restantes 99 caloiros que entraram connosco. Muitas foram, e felizmente em muitos casos são as pessoas que me marcaram: o Fred, irmão mais velho e companheiro de todas as aventuras, que nestes quatro anos me chegou a conhecer melhor que eu própria; as duas Saras, em tudo opostas, mas que cada uma à sua maneira foi essencial, pessoas com as quais errei mas aprendi muito, bem mais do que elas pensam; o meu querido Padrinho , que tem sempre um bom conselho para dar, e que é um grande e verdadeiro Geólogo de campo, e a minha Madrinha Cácá, igualmente boa conselheira, duas pessoas cuja amizade começou bem antes de eu ser caloira! Os amigos que foram ficando, o David, mais km’s tivesse a ponte Vasco da Gama e mais disparates diríamos; a Cristiana, que conheci também muito cedo, mas cuja cumplicidade foi fortalecida pelos fósseis! A Vanessa, o Pessoa, os meus afilhados lindos, as minhas netinhas e gerações futuras!

O Paleolab era (e é, eu sei que continua a ser) o refúgio de todas as horas (literalmente, de acordo com a Sofia e a Cris). E foi lá que conheci uma das pessoas com mais energia do mundo: a querida Inês! Esta mulher linda e incrível é uma força da natureza! De ideias fortes e seguras, é capaz de me pôr um sorriso na cara em qualquer situação! Ela sabe ver sempre o lado positivo das coisas, e rapidamente nos tornámos grandes amigas! À semelhança da Sofia (embora não pudessem ser mais diferentes!), são duas pessoas por quem eu tenho muito carinho e admiração e sei que posso contar com elas para o que der e vier! Através da Inês tive a oportunidade de conhecer outras pessoas incríveis, e não posso deixar de referir, em particular, a Raquel! Se a Inês transmite boas vibrações, o que dizer da Raquel! Não tenho nenhuma memória dela em que não esteja a sorrir! Sabe sempre mostrar-me o “outro lado da moeda” e pôr-me a pensar. Sempre com boas ideias e energia sem fim, é alguém que (como dizemos nos escuteiros), procura sempre deixar o mundo um pouco melhor. Se algo nos une às três, é a paixão por gatos, e se a Inês tem o gato mais sexy e fotogénico do mundo, a Raquel tem a gata mais linda e expressiva do universo! Foi também, mais tarde, através da Inês, que conheci a Rafa e o Domingos (quero conhecer a horta e o miau!), o Filipe das bicicletas (que é feito dele?) e toda a malta do Centro Ciência Viva de Estremoz (se ainda não conhecem, é favor desligar o computador e dirigir-se para o carro, JÁ!): o Fábio, o Noel e a Mariana, a Carlinha, a Patrícia, o Alexis, a Vânia, sou horrível porque me estou a esquecer de imensa gente e, claro, o chefe! O grande Prof. Dr. Rui Dias, com o qual tive a oportunidade de conhecer sítios lindos e aprender imenso!

Não me consigo lembrar ao certo de como conheci a Filipa… Mulher sem papas na língua, tem mais coisas em comum comigo do que aparentemente possa parecer. Sincera – se me pedissem para a descrever numa palavra, era a primeira que me ocorreria. Como ela própria o diz, “sei que não queres ouvir isto, mas cá vai…”. Sorriso contagiante, e uma capacidade inata de liderar. Não desiste, mesmo de todas as vezes que a vida lhe disse não, e tenho a certeza que hoje é feliz, 100% feliz. Tem um grande homem ao lado, sr. Casacão, que a equilibra e completa. Ela e a Mifi são… como unha e carne! Uma acaba a frase da outra! Sabem falar com o olhar! E são lindas! Oh, e só nós sabemos as saudades que Évora deixa ❤

Pode uma professora tornar-se amiga? Pode! A minha querida AJ, mesmo longe (geograficamente, bem longe!) foi apoio nos momentos mais difíceis. Sei que ela está lá sempre, à distância de um click. Outra pessoa a quem um obrigada não chegará nunca, para agradecer tudo o que tem feito por mim!

Porque a Faculdade e a licenciatura faz-se das pessoas que estão lá, todos os dias, a ajudar, a incentivar. Pessoas que há quatro anos nem sonhariam que se iriam cruzar na vida uma das outras, e hoje são as primeiras em quem pensamos quando queremos marcar um jantar; pessoas cuja prenda de anos é planeada “secretamente” por vezes com meses de antecedência; pessoas que, mesmo separadas por km’s, estão sempre presentes, cuja vida é partilhada, de forma mais ou menos intimista, através de todas as fotografias e palavras em e-mails mais ou menos frequentes. Porque a Faculdade e a licenciatura faz-se de momentos partilhados, alegres ou menos felizes, difíceis, ansiosos, em que um sorriso ou um abraço são tudo. Porque na Faculdade e na licenciatura faz-se amigos para a vida. Porque na Faculdade e na licenciatura, pelo menos na de Geologia, tem-se ainda a possibilidade de conhecer locais incríveis, paisagens cujas palavras não são suficientes para descrever tamanha beleza e algumas delas, bem mais perto daquilo que imaginam!

Imagem1(Sobrarbe, Espanha; Mina do Lousal; Beja)

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(Cima: Pirinéus; Baixo: Cap de Créus, Malos de Riglos – Espanha)

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(Sintra; Alentejo; Praia de Almograve)

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(CIMA: Cuenca de Madrid; Cabo Cope; BAIXO: Mazarrón; Mina de Ouro de Rodalquillar – Espanha)

E como bons Geólogos, estamos sempre atentos a todos os pormenores. Porque as rochas falam, só temos que aprender a lê-las!

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E se leram isto tudo e estão a perguntar-se “qual promessa?” – bem, eu prometi que no dia em que acabássemos a licenciatura, faria estes “Earth Cup Cakes” – hoje é o dia!

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4 thoughts on “Uma promessa de 4 anos

  1. Adoro os Cup cakes (e adoro-te a ti também, claro e óbvio!!!!). És a nossa cozinheira preferida! Pena é do mundo da cozinha, que viu-te seres geóloga instead. Melhor para nós! ahahah beijoca!!!

  2. Oláa 🙂 como podes ver li isto e por isso vou dizer-te ‘alguma coisa’ xD
    Já passaram 4 anos desde que fomos para a mui nobre F(A)CUL, que hoje em dia está pintada de “amerelo”! OMD como o tempo passa! Mas sim! Antes das 5h da matina sentadas ao pé do Globo do C6 (onde tiramos fotos com o Harry Potter xD) com as senhas 14 e 15 se não me engano 😛 (concluindo existiam mais 13 pessoas mais malucas que nós xD)
    (PS: Why did you dig up our magnificent blog??? xD)
    Um beijinho grande mãezinha :3 e aquele Odeio-te especial 😉

  3. Bem, eu nunca usei t-shirts dos Iron Maiden (nem dos Maden)!! E continuo a usar t-shirts de bandas que gosto (não os Iron Maiden) e tranças e a ser uma miúda (ainda me pedem o b.i. para comprovar maioridade às vezes, tá?? :p). Ai se o Paleolab falasse 🙂 Enfim pá, és uma melosa, faz de nós espelhos e relê para ti, porque tu sim és muita coisa do que aqui escreveste (só não usas t-shirts dos Iron Maiden nem tranças). É incrível como na década de 90 ainda se fabricava tão boa gente, metes nojo de tão boa Pessoa que és e acredita que não mereço as tuas palavras, ando uma tonhó lerda, lenta e perdida em tanta coisa. E estou a precisar de te recrutar lá para casa em setembro, podias criar um desafio no blog, estilo a Julie (ou Julia, ou que era), de 7 dias a cozinhar para a Sofia Pereira e família. Eu depois faço post de testemunho, prometo :p (e avaliação física do prejuízo, já que está tão na moda mostrar conquistas de diminuição de massa gorda e selfies de barriga invertida; fazemos ao contrário que já sabes que eu sou alérgica ao banal).

  4. Ah, importante acrescentar, eu fui a primeira a comer um destes queques (sim, para mim são queques e já tivemos esta discussão no bar do C6 o ano passado). A não ser que em casa a Ana se tenha afiambrado a um. Obviamente na altura escolhi o com aspeto de Terra mais bem definido. Houve uma fornada que ficou metamorfizada (culpa mitocondrial, disse a Ana). Emborquei o queque para engolir o nervosismo da apresentação dela e da Cristiana, que depois correram tão bem. Enfim. Já tenho saudades dos anos que voaram.

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